sábado, 18 de julho de 2009

Mais uma fuga na noite.



Silêncio.

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Como um animal, sorrateiramente, ela conseguiu chegar até a porta.
Abriu com muito cuidado, segurando as outras chaves para não quebrar aquele silêncio acolhedor, cúmplice.

Ah... o cheiro da noite!
Sim, ela sentia! SENTIA! Queria poder gritar, mas não faria isso com o seu grande amigo que vigiava noite a noite as sua experiências. O Silêncio.

A terra estava seca. Há dias que não chovia. Mas algo lhe dizia que aquela noite seria diferente.
Deitou-se, olhou as estrelas, identificou algumas. Sorriu. Seu olhos brilharam quando um estrela deu um belo salto como os que via nos espetáculos de circo. "Isso significa sorte!"
Agora ela está de bruços. Debruçada em pensamentos, sensações.
Uma lágrima veio. Ela não sabia ao certo se era tristeza, emoção, ou se era uma mistura de tudo que vinha à tona quando conseguia se libertar do quarto escuro.
Deixou que suas lágrimas umedecessem o solo, que neste momento ela abraçava.
Da sua maneira, ela dava amor à terra. Algumas vezes, fazia amor com ela.
As duas juntas. Sedentas. Uma de amor e chuva. A outra de amor e liberdade.
Sentiu um arrepio, e depois prazer em forma de gotas que tocavam sua pele suavemente. E antes que pudessem denunciar a sua fuga, tirou o vestido e a calcinha e pendurou-os na janela para que não os vissem molhado na manhã seguinte.


Ficou ainda um tempo. Sentindo...


Seu amigo deu espaço a uma melodia de sons criados pelas gotículas no telhado.
Lágrima, chuva, suor. Fluidos dançando em seu corpo.
E antes que pudesse se satisfazer, a chuva foi diminuido... diminuido... até fazer cócegas.
Era o seu jeito de dizer: "Vai, se recolhe, menina, para que possamos desfrutar mais momentos juntas sem que descubram."

E ela foi.

Um comentário:

  1. Ter como amigos silêncio, chuva, terra...
    Tem um quê de mistério, solidão e uma imensidão interior fantástica.

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